sábado, 30 de janeiro de 2010

Vinho Madeira embarca em viagem de circum-navegação a bordo da 'Sagres'

Pipa de 55 litros vai recriar epopeia do 'Vinho da Roda' Data: 22-01-2010 Uma pipa com 55 litros de Vinho Madeira embarcou esta sexta-feira na 'Sagres' para fazer a terceira viagem circum-navegação do navio-escola português e recriar a epopeia do denominado 'Vinho da Roda'.A 'Sagres' fundeou hoje logo pela manhã ao largo da baía do Funchal, numa breve paragem na primeira etapa da viagem que vai durar 11 meses para receber o tonel que foi transportado numa canoa tradicional da Madeira.O comandante do navio, Proença Mendes, salientou que "a Marinha disponibilizou o navio para uma missão de representação do Estado em várias paragens", estando planeada a sua presença na regata de velas da Sudamérica, comemorativa dos 200 anos das independências da Argentina e do Chile, na Expo Shangai 2010, nas comemorações dos 150 anos do Tratado da Paz, Amizade e Comércio entre Portugal e o Japão e nas comemorações dos 500 anos da expansão portuguesa no extremo oriente.De acordo com o responsável, a 'Sagres' costuma receber uma média de 15 mil visitantes dia nos portos de paragem, sendo o do Funchal aquele que mais frequenta.O navio-escola faz "também diplomacia cultural do pais" e nas recepções a bordo divulga os produtos genuinamente portugueses, pelo que nesta viagem leva "o bom bacalhau português (cerca de 2.200 quilos), Vinho da Madeira e vários vinhos de mesa que serão servidos para fazer ainda uma melhor representação do país".Casco "vai e volta"Sobre a pipa de Vinho Madeira embarcada, sublinhou tratar-se de um "casco de 50 litros que, infelizmente tem de voltar", recordando que "há 500 anos que se sabe que os vinhos licorosos, quando regressavam a bordo vinham mais ricos e saborosos". "Vamos fazer esta experiência: levamos um casco devidamente selado, vai e volta, que será comparado depois com os que cá ficam, a ver se vale a pena continuar com este vinho "torna viagem", argumentou.A 'Sagres' leva também garrafas de Vinho Madeira oferecidas pelo IVBAM para ser utilizado em provas nos diferentes portos por onde passar Proença Mendes referiu também que esta terceira viagem de circum-navegação "é patrocinada por apoios externos, tendo o Instituto do Vinho da Madeira visto uma oportunidade de se juntar a esta missão, porque ao promovermos produtos genuinamente português estamos a cumprir nossa missão de diplomacia económica".Por seu turno, a presidente do Instituto do Vinho, Bordado e Artesanato da Madeira (IVBAM), Paula Cabaço, explicou que os comerciantes aperceberam-se que a dupla passagem do Vinho Madeira pelos trópicos, o calor e a ondulação "conferiam-lhe propriedades muito boas, envelhecia-o prematuramente, e este vinho era muito valorizado"."O Vinho da Roda chegou a valer o dobro daquele que não fazia este circuito", referiu, afirmando que esta foi uma iniciativa é uma forma de "recriar a epopeia".Disse que tem também um carácter promocional e experimental do Vinho Madeira, "porque o lote que embarca na "Sagres" será depois comparado com um igual que fica nas caves do Instituto, em termos organolépticos e químicos".Mencionou que a pipa contém vinho da casta Malvasia, "escolhida porque foi aquela que deu a fama e nome ao Vinho Madeira no mundo e pelo seu simbolismo, visto que foi D.Henrique, figura de proa do navio, que ordenou a sua introdução e plantação na ilha". Paula Cabaço garantiu que o vinho desta pipa "não será comercializado e será engarrafado no regresso, ficando no Instituto para ser oferecido em ocasiões simbólicas".Admitiu que "se calhar ainda vamos ter novidades com o vinho Madeira e Sagres este ano".Depois de receber o casco com Vinho Madeira, a "Sagres" deixou a baía do Funchal rumo ao Brasil.Lusa

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Madeira - é um bairro do município de Itaguaí que, por estar situado muito próximo à costa, foi realizado um aterro que anexou a ilha ao continente. Seu nome foi dado em homenagem à ilha da Madeira de Portugal, pois seu primeiro colono era um madeirense. Recanto paradisíaco de Itaguaí. Para se chegar na Ilha da Madeira, é necessário pegar a Rio-Santos (km 17), numa entrada à esquerda (quem vem da Avenida Brasil), tendo como referência o prédio da Nuclep, e dirigir por uma estrada, que também dá acesso ao Porto de Itaguaí. Ao encontrar o posto da Polícia Militar, basta virar à direita e seguir em frente, segue-se por 2 Km, passando-se por uma vila de pescadores, pelo Iate Clube local e logo chegando à praia. Muito arborizada, com comércio, mar, barcos, uma nesga de montanha verdinha, a vista das ilhas Itacuruçá e Jaguanum no horizonte, um povo bem disposto, alegre e comunicativo. O ponto ainda atrai aos amantes da pesca submarina e também aos pescadores oceânicos e os de simples caniço. Na ilha existe ainda um pequeno hotel e pousadas.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

[Lusofonias] O elefante e a pulga *

São José Almeida «É precisamente devido à enormidade do peso demográfico no Brasil que o português tem dimensão mundial», escreve a jornalista São José Almeida, no diário português “Público” do dia 26 de Julho de 2008, a propósito da aprovação de uma estratégia de reconhecimento e promoção da língua portuguesa pelo Governo de José Sócrates. Por isso – acrescenta – «era bom que, em vez de se ofenderem com a agressividade do Brasil na concretização da sua política da língua (...), os velhos do Restelo portugueses aceitassem o facto de que o Brasil tem a dimensão e o peso demográfico que tem. E que se assuma que é precisamente devido à enormidade do peso demográfico no Brasil que o português tem dimensão mundial e é a sexta língua em número de falantes.» Texto integral a seguir, com a devida vénia à autora e ao jornal que autorizaram a sua reprodução. Finalmente, há um Governo em Portugal que descobriu a língua portuguesa e a assume como arma diplomática. Mais: fá-lo sem ignorar a relatividade do peso dos falantes de português de Portugal, logo assumindo uma política da língua no seio da comunidade mundial de falantes de português, ou seja, no âmbito da CPLP e, sobretudo, tentando estar em sinergia com o Brasil. A aprovação de uma estratégia de reconhecimento e promoção da língua portuguesa é um passo importantíssimo para a afirmação internacional de Portugal e só a ignorância e o desleixo de uma elite dominante tem adiado o assumir desta questão como primordial. Desleixo que teve picos como, por exemplo, o vivido no Governo de Durão Barroso em relação ao ensino de português junto das comunidades portuguesas na Europa, em que o Governo PSD-CDS tratou de desapoiar o pouco que tinha sido feito pelo Governo de António Guterres, nomeadamente por Ana Benavente, no Ministério da Educação, e por Jorge Couto, no Instituto Camões. É importante que seja oficialmente assumida – como fez o Conselho de Ministro de 16 de Julho – «uma estratégia para o reconhecimento e promoção da língua portuguesa, visando a sua promoção como instrumento fundamental de educação, formação e capacitação institucional, no âmbito da cooperação para o desenvolvimento, bem como enquanto instrumento de internacionalização económica, de divulgação cultural e de ligação às comunidades portuguesas». Louvam-se assim as medidas e instrumentos anunciados como a reestruturação do Instituto Camões. Assim como se louva a criação da «comissão interministerial com o objectivo de desenvolver um plano de acção de valorização do património cultural de origem portuguesa». E também a criação do Fundo da Língua Portuguesa, com uma verba inicial de 30 milhões de euros, que irá proporcionar a colocação de professores de português: 500 para as comunidades portuguesas, 200 para Angola, 40 para a Guiné e 30 para Timor. José Sócrates parece ter finalmente percebido aquilo que a Espanha percebeu há muito, que a língua é uma arma diplomática. A Espanha fez da hispanidade uma questão de Estado e assumiu uma política expansionista e eficaz de afirmação do castelhano no mundo, enquanto Portugal olhou de soslaio a lusofonia, encarou os países falantes de português em África como colónias que deviam à metrópole o dever de obediência, achou-se com direitos de propriedade eterna e por direito divino sobre a forma de escrever e falar o português, limitando-se a criar no papel uma organização de caricatura para defesa da lusofonia: a CPLP. Agora, associado à adopção de uma política da língua surge a possibilidade de finalmente revitalizar e dar dimensão à CPLP, como veículo da afirmação do português no mundo. Espera-se que as intenções não se fiquem por isso mesmo. E que Portugal não tenha medo de assumir a sua pequenez territorial para poder estar ao lado da comunidade de falantes da língua que é comum a todos e não é propriedade de ninguém. Como declarou o secretário de Estado João Cravinho ao ”Público”: «Não é um país com dez milhões de habitantes que vai conseguir afirmar a língua como património universal». Que esta noção de dimensão não desapareça, antes substitua o bafio e a pesporrência de quem se acha dono da língua. Há 230 milhões de falantes de português em todo o mundo, dos quais dez milhões são portugueses e atingindo o Brasil os quase duzentos milhões. Ora, é cristalino que Portugal tem não só que adoptar uma política de língua, mas fazê-lo no âmbito da comunidade de falantes e ao lado do Brasil, país que – felizmente para a dinâmica da língua portuguesa no mundo – tem uma política da língua não só dirigida às comunidades brasileiras que vivem, por exemplo na Europa, como também aos países lusófonos de África. Era bom que, em vez de se ofenderem com a agressividade do Brasil na concretização da sua política da língua — o último motivo de espanto é que o Brasil vai fundar uma Universidade Lusófona no Ceará —, os velhos do Restelo portugueses aceitassem o facto de que o Brasil tem a dimensão e o peso demográfico que tem. E que se assuma que é precisamente devido à enormidade do peso demográfico no Brasil que o português tem dimensão mundial e é a sexta língua em número de falantes. Era bom que, com a assunção pelo Governo português de uma política da língua, se conseguisse que esta, bem como as políticas culturais, deixassem de ser dominadas por uma certa elite que parece ainda não ter ultrapassado o complexo de rejeição e de inferioridade causado pelo abandono do país por D. João VI aos ocupantes franceses, indo para o Brasil, que passou a ser sede de Império. Ou seja, era bom que se deixasse de olhar para o Brasil com despeito e se percebesse e aceitasse a magnificência cultural daquele país e a grandeza que é o português ser falado naquela imensidão de terra e de gente. Era bom que se percebesse que Machado de Assis não fica atrás de Eça de Queiroz, que Padre António Vieira existiu porque viveu a dinâmica global da sua época nos dois territórios, que se Mia Couto inovou porque enriqueceu o português com a vivência da língua em Moçambique, antes, no Brasil, existiu Guimarães Rosa. Era bom que quem se acha dono da língua percebesse que as línguas vivas vivem dos seus falantes. Caso contrário, morrem. É por isso que a capacidade de fazer uma reforma ortográfica comum a todos os países lusófonos, como o recente acordo ortográfico, é uma prova de vida e de vitalidade. É por isso que é ridículo dizer que a pronúncia do português que tem que ser regra no ensino e na política da língua no mundo é o português de Portugal. Porquê? Pelos 800 anos de história? E já agora o português de qual Portugal? De Lisboa? De Beja? De Castelo de Vide? De Coimbra? Do Porto? De Chaves? De Lagos? De Câmara de Lobos? De São Miguel? É que a arrogância de proprietários da língua que muitos intelectuais portugueses assumem em relação ao Brasil dá vontade de lhes dizer que perante o elefante cultural, artístico e linguístico que o Brasil é, Portugal não passa de uma pulga. * in “Público”, 26 de Julho de 2008 :: 28/07/2008 Sobre o Autor jornalista portuguesa,redatora principal do jornal “Público”

domingo, 3 de janeiro de 2010

Ao ritmo da ampulheta

Quando criança ganhei um reloginho de areia... O inusitado presente me deixava absorto e maravilhado! A areia branca descia devagar de um compartimento a outro da ampulheta; invariavelmente, imobilizado pelo fascínio daquela novidade, virava o "reloginho" fazendo com que a areia inerte tomasse vida e caísse, lenta e monótona, para o espaço vazio abaixo.
E assim, horas a fio, como que tentando aprisionar o tempo, sentia-me "dono" do que estava ao meu redor, senhor das coisas e sentimentos... Até que um dia... o encanto quebrou-se! Uma manobra desastrada e a areia fria, que até àquele momento era cheia de vida, espalhou-se, inanimada, em meio aos cacos de vidro sobre a mesa...
Inerte, morta, por assim dizer, levou consigo todo o meu encanto. Desiludido, aos poucos fui me acostumando ao "desprazer" que se abatera sobre mim. Ao mesmo tempo um alívio e um sentimento de liberdade apossaram-se do meu ser e sentia, mesmo sem descobrir as palavras certas para expressar a nova situação, a euforia de haver me libertado de um feitiço! Aquele afã de tentar, ostensivamente, "dominar" o tempo estava me aprisionando. Frente à ampulheta sobre a mesa eu era seu prisioneiro. Nada mais podia fazer, estava absorto por seus sortilégios, escravo voluntário de seus encantos!
Quantas vezes procedemos como se um pensamento fixo fosse a última razão de nossas vidas e uma "verdade" que formalizamos em nosso íntimo parece incontestável a ponto de mais nada chamar a atenção de nossos propósitos! Nossa passagem pela vida é, mesmo que passe despercebida à maioria das pessoas, uma construção e uma "conta" que nos farão ingressar na memória histórica da humanidade. Viemos para somar e mesmo um pequeno grão de areia que possamos colocar na construção de um futuro melhor, será auspicioso e reverenciado pela posteridade. Desejo a todos um próspero Ano Novo!
Eleutério Sousa

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Nova Ortografia

Acordo ortográfico a partir de janeiro mas sem consenso
O acordo ortográfico estabelecido em 1990 entre os sete países de língua oficial portuguesa, entra em vigor em janeiro em Portugal e terá um período de transição de seis anos. No Brasil, o acordo já está em vigor desde o início do ano e tem um período de transição de três anos. Trata-se do acordo que estabelece normas ortográficas, ou seja, regras de como escrever palavras, mas não altera a pronúncia, não cria nem elimina qualquer palavra. Grande parte dos linguistas portugueses consideram que existem razões históricas, defendendo que é chegado o momento de pôr termo a uma espécie de "guerra ortográfica" dos 100 anos. Por outro lado, entendem haver razões internacionais, pois permite que um único documento, numa grafia única, represente todos os países da Comunidade Portuguesa de Língua Portuguesa (CPLP) internacionalmente . Finalmente, os especialistas consideram haver razões de natureza pedagógica, por entenderem que uma única ortografia facilita a aprendizagem no ensino do português como língua estrangeira. A verdade é que com o acordo ortográfico, que não reúne o consenso entre escritores e professores de língua portuguesa, o vocabulário regista mais de 200 mil entradas. As alterações abrangem o alfabeto, a utilização das maiúsculas e minúsculas, a acentuação gráfica, as consoantes mudas e o hífen. O alfabeto passa de 23 para 26 letras (k,w,y) que passam a ser usadas em topónimos e antropónimos de origem estrangeira (ex: kosovo, kantiano, kosovar), em siglas (ex: www), símbolos, unidades de medida (ex: kg, km) e palavras de origem estrangeira de uso corrente (ex:yoga, kart). Em relação à utilização de minúsculas, passam a escrever-se obrigatoriamente os dias de semana, os meses e as estações do ano, os axiónimos (ex: senhor doutor...), os pontos cardeais e colaterais e as formas (fulano, sicrano, beltrano). Passam a escrever-se facultativamente com minúscula nos títulos de livros (exceto os nomes próprios neles contidos), hagiónimos (ex: santa Barbara) e nos domínios do saber, cursos e disciplinas (ex: português, matemática, anatomia). Em relação às maiúsculas, passam a escrever-se facultativamente as categorizações de logradouros públicos, templos e edifícios (ex: palácio de São Lourenço ou Palácio de São Lourenço, rua da Alegria ou Rua da Alegria). Na acentuação gráfica, é eliminado o acento gráfico no ditongo oi (ex: heróico passa a heroico) em palavras graves e nas formas verbais terminadas em -eem (ex:crêem, dêem, lêem passam a creem, deem, leem). Suprime-se ainda o acento agudo e circunflexo de palavras homógrafas (ex: pára, péla, pêlo passam a para, pela e pelo). Neste caso há exceções, mantendo-se os acentos em pôde, pôr, dêmos, amámos, sujámos. Ainda na acentuação gráfica, elimina-se o acento sobre a letra u nas terminações verbais que, gue, gui, quis (ex: argúi, delinquém, adeqúes passam a argui, delinquem, adeques). Em relação às sequências consonânticas suprimem-se as consoantes mudas ou não articuladas, que se tinham conservado na variante europeia por razões etimológicas (ex: cc - colecionador, cç - correção, ct - atual, pc - excecional, pç, adoção, pt- ótimo). Conservam-se nos casos em que a consoante se pronuncia (ex: adepto, apto, réptil, eucalipto, inepto, rapto, compacto, convicto, pacto, factual, convicção, ficção, friccionar, erupção, núpcias). Provavelmente, a alteração ortográfica que poderá gerar mais confusão, pelo menos no início da aplicação do acordo, é o hífen. Nas locuções substantivas e adjetivas (ex: cão de guarda, fim de semana, sala de jantar, cor de açafrão, cor de café com leite, cor de vinho). Exceções aplicam-se a locuções já consagradas pelo uso (ex: água-de-colónia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao deus-dará, à queima-roupa). Aplica-se a regra geral, ou seja, todos os prefixos/radicais são aglutinados à palava-base (ex: eurodeputado, euroasiático, socioeconómico, psicossocial, contraindicação, antirrugas, minissaia, autoestrada). Utiliza-se o hífen quando o prefixo liga-se à palavra-base sempre que esta começa por h (ex: anti-histamínico, circum-hospitalar, co-herdeiro, geo-história, imuno-hematologia, pré-história, super-homem). Utiliza-se o hífen quando o prefixo termina com a mesma letra com que inicia a base (ex: anti-infeccioso, auto-observação, contra-ataque, micro-ondas, pan-nacional, semi-interno, super-realista). Exceção para os prefixos co, re, pre, pro que se aglutinam à base mesmo que estas comecem por o ou e (ex: cooperante, cooperação, reentrar, reeleger, preencher, proeminente). Utiliza-se o hífen quando o prefixo ex- tem sentido de anterioridade (ex: ex-presidente, ex-marido, ex-militar), sempre que o prefixo é acentuado graficamente (ex: pré-operatório, pós-parto, pró-independência) e quando a palavra-base é um estrangeirismo, um nome próprio ou uma sigla (ex: anti-apartheid, anti-Salazar, anti-MPLA). Por outro lado, levm hífen as seguintes estruturas: verbo+nome (ex: conta-gotas, fica-pé, guarda-chuva, lambe-botas, para-quedas, porta-moedas), nome+nome (ex: camião-cisterna, cirurgião-plástico, comboio-fantasma, comício-festa, problema-chave, tenente-coronel), advérbio+advérbio/nome (ex: abaixo-assinado, além-Atlântico, aquém-mar, recém-casado). Exceção para as sequências com -não e -quase são escritas sem hífen (ex: não alinhado, não crente, quase estático e quase dito). Não levam hífen as seguintes estruturas: adjetivo+nome (ex: segunda feira, alto comissário, alta fidelidade, primeiro ministro), nome+adjetivo (ex: assembleia geral, defesa central, guarda florestal, guarda noturno), adjetivo+adjetivo (ex: social democrata, surdo mudo), nome+preposição+nome (ex: caminho de ferro, casa de banho, fim de semana, sala de jantar). Assim, vamos ver como será aplicado o acordo ortográfico a partir de janeiro. Os dados estão lançados e em breve vamos saber o que mais vai pesar na balança: os benefícios que os apoiantes dão como certos ou os danos que os opositores temem como prováveis. Um século em busca da convergência A ortografia da língua portuguesa é regida por um conjunto de normas oficiais materializadas em acordos ortográficos. No início do século XX quer em Portugal, quer no Brasil, surgiu a intenção de estabelecer um modelo de ortografia que pudesse ser usado como referência nas publicações oficiais e no ensino em ambos os países, iniciando-se assim um longo processo de tentativas de convergência das duas ortografias. Em1943, realizou-se em Lisboa um encontro entre os dois países com o objectivo de uniformizar os vocabulários já publicados, o da Academia das Ciências de Lisboa, de 1940, e o da Academia Brasileira de Letras, de 1943. Deste encontro resultou o Acordo Ortográfico de 1945, que, no entanto, apenas tornou-se vigente em Portugal, não tendo sido ratificado pelo Brasil, que continuou a reger-se pelo Vocabulário de 1943. Em 1986 foi feita no Brasil uma nova tentativa de uniformização da ortografia, mas não se chegou a consenso. Anos mais tarde, fruto de um longo trabalho desenvolvido pelas Academias de Portugal e Brasil, os representantes oficiais de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe assinaram o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, ao qual em 2004 adere o recém-independente Timor-Leste. O Acordo Ortográfico de 1990 entrou em vigor no início de 2009 no Brasil e agora prepara-se para entrar em Portugal. Acordo só avança nas escolas com manuais actualizados O acordo ortográfico vai avançar nas escolas portuguesas, mas apenas «no início de um ano lectivo» e quando todos os recursos estiverem adaptados. A garantia foi deixada pela ministra de Educação, Isabel Alçada, que se escusou a apontar uma data concreta. «O acordo vai avançar nas escolas, mas tem de avançar segundo um calendário seguro, para que haja uma adaptação dos recursos e uma informação clara sobre o assunto», afirmou Isabel Alçada, salientando a importância da «colaboração dos editores que publicam livros escolares». Segundo a ministra da educação, «quando o acordo for apresentado como a nova forma de utilizar a Língua Portuguesa escrita» não pode haver «recursos que ainda não estão adaptados, professores que ainda não estão informados». Tal como referiu «tudo tem de ser afinado, mas isso exige estudo e exige tempo». Segundo afirmou: «Não pode acontecer o acordo já estar em vigor e ainda estarmos a usar livros com a ortografia anterior». Sobre a hipótese de o acordo entrar em vigor nas escolas em outubro de 2010, Isabel Alçada escusou-se a dar garantias, alegando que nunca anuncia nada antes de estar feito. «Não gosto muito de falar daquilo que está em curso, gosto de falar daquilo que está completado. Gosto de ser clara e, muitas vezes, quando um processo está em curso, a clareza não é possível», declarou, garantindo apenas que a tutela da educação está a «trabalhar com as editoras» para agilizar o processo. Diário da República com acordo ortográfico Garantida está a impressão do Diário da República segundo o novo acordo ortográfica. Aliás, a Assembleia da República prepara-se para aplicar o acordo ao nível dos diplomas e das intervenções. Alguns deputados e ministros já adoptaram o novo acordo ortográfico nas suas intervenções públicas, tal como aconteceu com Teixeira dos Santos, na recente discussão do Orçamento Rectificativo. O Governo da República pretende com a entrada em vigor do novo acordo, em janeiro, refletir sobre uma futura Academia de Língua Portuguesa. Na Madeira, pouco se sabe sobre a aplicação do acordo quer ao nível público, quer ao nível do ensino. Porém, os dados estão lançados e nos próximos seis anos de adaptação, veremos como decorre a aplicação ao nível do hífen, dos acentos e das duplas grafias. Acordo no Parlamento - A Assembleia da República vai aplicar o acordo ortográfico a partir de janeiro em todos os seus diplomas e na publicação do Diário da República. Também a partir de janeiro a Agência Lusa vai passar a escrever as suas notícias com base no novo acordo ortográfico. O jornal desportivo Record já aplica o acordo há mais de um ano.

domingo, 13 de dezembro de 2009

“Gloria in excelcis Deo” (Glória a Deus nas alturas)

Provavelmente, continuam os viandantes de hoje à procura de um abrigo. Com certeza, alguma mulher grávida estará procurando um lugar para que seu filho nasça com dignidade. Mas, com indiferença, continuam as pessoas de hoje a fazer pouco caso das necessidades alheias e, quando muito, chamam a polícia para levar as grávidas desavisadas até o pronto socorro.

Temos notícias diárias de policiais parteiros. Homens duros, acostumados a combater o mal, seus rostos iluminam-se quando ajudam uma vida a vir ao mundo. É muito mais alegria do que, por exemplo, “ajudar” a eliminar vidas!... (abortos, etc...)

Mas, vamos ao tema principal... Maria estava nos momentos delicados que a faria personagem central da história humana; dar à luz o Filho de Deus. Desprovido de tudo, menos do amor infinito de sua mãe, na ocasião do nascimento de Jesus, apareceram os anjos entoando o cântico: “Glória in excelris Deo”. Os pastores, avisados, foram as primeiras pessoas a prestar louvor ao Rei que acabara de nascer!

Somente pessoas com desprendimento total poderiam ver naquele menino a figura do Salvador!

Se nós, neste Natal, soubermos nos despojar de tudo que impeça o progresso espiritual e colocar nossas imperfeições no altar da vida, que venha o Príncipe da Paz e nos abençoe! Que nossa vida seja um contínuo Natal de bons propósitos, realizações e felicidade diária!

Bom Natal!

Eleutério Sousa

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

NATAL

Natal – o Nascimento de Jesus. A data verdadeira perde-se nas brumas do tempo. A tradição ortodoxa e oriental fala em 6 de janeiro. A Igreja ocidental “cristianizou” as festas pagãs de 25 de dezembro, saturnálias e equinócio do sol.Para nós, interessa o espírito desta época. Após um ano cansativo, um momento de paz em família revigora a sociedade e torna-a mais solidária, mais irmã...Para os cristãos é época de purificação. Afinal, ir ao encontro do Menino Deus, só com a alma contrita e cheia de gozo espiritual. Não foi à toa que a mensagem dos anjos se dirigiu a pastores de almas simples e cheias de sabedoria!... Os poderosos, os soberbos e toda a sorte de gente indesejada, foram afastados do convite para o banquete celestial!...Pensemos nisso!